Superintendência do Cade aprova compra da Fibria pela Suzano

Por Agência CMA

A superintendência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições o ato de concentração referente à compra da Fibria pela Suzano, segundo comunicado enviado pelas empresas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na quinta-feira (11) à noite.

“A consumação da referida operação está ainda sujeita ao cumprimento de outras condições precedentes usuais para este tipo de operação. Até a data da consumação da operação, as companhias não sofrerão qualquer alteração na condução de seus negócios, e permanecerão operando de forma independente”, acrescentaram.

O parecer da superintendência do Cade afirma que apesar de as duas companhais possuírem grande participação na produção e na comercialização de papel, “não foram constatados incentivos para o fechamento de mercado”.

porque a produção de papel pela Suzano é integrada às suas fábricas de celulose e a Suzano opera “na plenitude de sua capacidade produtiva de papel, de modo que uma eventual absorção de volumes adicionais de celulose não seria de fácil implementação”.

Além disso, o Cade aponta que se a celulose da Fibria fosse direcionada à produção de papel pela Suzano, as fibras de celulose seca da Fibria teriam de retornar ao estado aquoso, para utilização no processo produtivo de papel pela Suzano, não havendo vantagem econômica nesta hipótese.

Ainda de acordo com o parecer, as atividades de geração e comercialização de energia elétrica pelas duas empresas são “de pequena relevância” e que a geração de energia elétrica é exercida de forma predominantemente cativa, enquanto a comercialização tem “caráter esporádico e residual”.

Em relação a terminais portuários das duas empresas, os da Fibria no Porto de Santos escoam exclusivamente a sua própria produção de celulose ao mercado externo e não há possibilidade de fechamento de mercado no Porto de Aracruz (ES), uma vez que, atualmente, são relativamente poucas as empresas que utilizam suas instalações, disse o parecer.

O Cade também aponta que no mercado de atividade florestal uma parcela significativa da madeira de eucalipto plantada e extraída pelas empresas destina-se ao consumo cativo e que operações de compra de madeira de eucalipto ocorrem em casos eventuais de déficit de produção, ou quando se verifica um desajuste no planejamento produtivo das empresas.

Em relação ao mercado nacional de celulose de fibra curta, “verificou-se que as participações conjuntas de Suzano e Fibria são significativas”, mas que “a celulose de fibra curta é uma commodity, com preços estabelecidos internacionalmente, mitigando assim eventuais tentativas de aumentos unilaterais de preços”.

Além disso, o Cade aponta que “há possibilidade de desvio da produção exportada para o mercado interno, uma vez que a celulose fabricada domesticamente é muito superior ao volume representado pela demanda interna”, que “existem fornecedores alternativos no mercado nacional” e que “há fornecedores com capacidade de absorção da demanda, em virtude da existência de capacidade ociosa”, e que outros fornecedores têm planos de expansão da capacidade e de aumento na eficiência que redundem em aumento de capacidade sem investimentos vultosos.