
O Dia Internacional da Mulher, celebrado no próximo domingo (8), é uma oportunidade para conhecermos histórias de coragem e transformação. Sendo assim, a Suzano, maior produtora mundial de celulose e referência global em bioprodutos desenvolvidos a partir do eucalipto, compartilha a trajetória de Ana Paula Moraes Soares, indígena do povo Tupiniquim de Aracruz (ES) que se tornou a principal responsável pelo sustento da família após encontrar na meliponicultura uma oportunidade de renda e autonomia.
Aos 38 anos, mãe de três filhas, sendo uma de 22 anos, uma de 19 anos e uma de dois meses, ela construiu na agricultura e na criação de abelhas nativas não apenas uma atividade produtiva, mas um caminho de independência que tanto buscava. Hoje, é agricultora e presidente da Cooperativa de Agricultores Indígenas Tupiniquim e Guarani de Aracruz (Coopyguá), conciliando maternidade e trabalho com a convicção de que sua força inspira também outras mulheres da comunidade.
A infância foi marcada por dificuldades, mas ela prefere não entrar em detalhes. “Muito difícil... tive muitas dificuldades”, resume. Ainda assim, foi justamente esse começo desafiador que moldou a mulher que ela se tornou. “A minha infância fez com que eu me transformasse na mulher que sou hoje. Vim de um passado muito difícil, conturbado e me tornar independente e capaz é algo que me enche de orgulho com certeza”, afirma Ana Paula.
Ela explica que nunca imaginou ser a provedora do lar, a figura responsável pela renda dentro de casa. Sempre trabalhou para ajudar no sustento da família, mas foi após o divórcio que assumiu integralmente essa responsabilidade. Entre os desafios enfrentados, a falta de experiência para o mercado de trabalho foi um dos principais.
A virada começou quando foi indicada por conhecidos para participar de um projeto apoiado pela Suzano. A iniciativa abriu portas para capacitação e geração de renda. “Tive apoio em um projeto de meliponicultura, Rede Sementes e hoje sou presidente da cooperativa. Foi o que começou a trazer luz para mim”, revela.
Este envolvimento com a criação de abelhas sem ferrão trouxe impactos que vão além do financeiro, como a mesma explica. “Esse projeto ajuda muito na renda familiar, mas para mim o resgate das abelhas nativas ajudou muito no lado psicológico também, pois é uma rotina que ajuda no meu dia a dia até hoje, fez eu ter uma ocupação quando mais precisei e eu amo trabalhar com elas”, relata.
Autonomia e maternidade
Conciliar trabalho e maternidade — especialmente com uma filha recém-nascida — ainda exige organização e dedicação. “Hoje tenho um pouco de dificuldade, mas aos poucos a rotina volta ao normal. Consigo conciliar as duas coisas, sabendo principalmente que de mim dependem minhas filhas”, diz. Para ela, ser uma mulher indígena provedora do lar tem um significado profundo: “Me sinto orgulhosa e completa sendo a referência das minhas filhas e de outras pessoas em minha comunidade”.
De acordo com Rafaela Cavalcanti, consultora de Relacionamento Social da Suzano, iniciativas como essa buscam ampliar oportunidades e fortalecer a autonomia nas comunidades, não somente aldeias indígenas. “A gente acredita e conhece o potencial das mulheres, sabemos o impacto que a geração de renda pode trazer para uma família e para uma aldeia indígena como a da Ana ou uma comunidade quilombola, por exemplo. Na Suzano, acreditamos que gerar e compartilhar valor, além de apoiar pessoas e projetos sociais em todas as frentes, faz a diferença. Histórias como a da Ana Paula mostram como o acesso à capacitação e o apoio adequado podem abrir novos caminhos para uma vida mais facilitada e satisfatória”, destaca.
Entenda como é a Meliponicultura no Programa PSTG da Suzano
A meliponicultura desenvolvida por Ana Paula integra o Programa de Sustentabilidade Tupiniquim e Guarani (PSTG), iniciativa da Suzano voltada ao fortalecimento produtivo, valorização cultural e geração de renda nas comunidades indígenas. O programa contempla ações como capacitação técnica, apoio à organização produtiva, incentivo à comercialização e respeito ao conhecimento ancestral sobre o manejo da terra e das abelhas nativas sem ferrão, atividade de baixo impacto ambiental e alinhada às práticas culturais das aldeias.
Segundo Rafaela Cavalcanti, dentro do PSTG o projeto de meliponicultura garante estrutura para que produtores e produtoras desenvolvam a atividade com segurança e autonomia. “O projeto contempla cursos de capacitação, doação de caixas de abelhas, assistência técnica e apoio à comercialização do mel por meio da Coopyguá, cooperativa indígena responsável pelo envase e venda do produto”, explica. A iniciativa também incentiva o fortalecimento da gestão e amplia o acesso a mercados, contribuindo para a autonomia das aldeias indígenas.