Área da Suzano em Ribas do Rio Pardo (MS) ganha nova reserva de proteção permanente ao Cerrado

Os 1.209 hectares, situados em propriedade da Suzano, passam a integrar a RPPN Cerrado Protegido, administrada pelo Instituto Ecofuturo

9/22/26
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Área da Suzano em Ribas do Rio Pardo (MS) ganha nova reserva de proteção permanente ao Cerrado

Nascentes, cerrado stricto sensu, cerradão e veredas formam o mosaico de vegetação nativa que passou a ter proteção permanente em Ribas do Rio Pardo (MS), a 98 quilômetros de Campo Grande. Os 1.209 hectares integram uma propriedade da Suzano e agora compõem a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Cerrado Protegido, reconhecida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e administrada pelo Instituto Ecofuturo, organização sem fins lucrativos mantida pela empresa desde 1999.

No bioma Cerrado, onde a conservação da vegetação nativa é fundamental para a manutenção das nascentes, cursos d’água e da biodiversidade, a proteção formal de áreas contribui para a manutenção da conectividade ecológica da paisagem e para a conservação de espécies sensíveis à fragmentação de habitats. Para Beatriz Greco Tavora, gerente de Sustentabilidade da Suzano e do Instituto Ecofuturo, é nesse contexto que a nova RPPN se soma a outras áreas protegidas pela Suzano no estado.

“A criação da RPPN Cerrado Protegido é um passo concreto para a conservação do Cerrado no Mato Grosso do Sul. A área reúne nascentes, diferentes tipos de vegetação nativa e espécies que dependem de grandes extensões preservadas, como o tatu-canastra e o mutum-de-penacho. Com o Instituto Ecofuturo à frente da gestão, vamos ampliar as ações de pesquisa e monitoramento de fauna e flora, além de criar oportunidades para educação ambiental, especialmente para jovens da região”, afirma Beatriz.

Proteção e conservação

Ainda conforme a executiva, a criação da RPPN Cerrado Protegido consolida, no Mato Grosso do Sul, a estratégia de conservação da Suzano baseada na proteção de habitats, na restauração de áreas degradadas e no fortalecimento da conectividade entre fragmentos de vegetação nativa.

Levantamentos que subsidiaram o Plano de Manejo da unidade registraram 164 espécies de flora, distribuídas em 52 famílias botânicas. Entre os registros de maior relevância estão espécies endêmicas e ameaçadas, com destaque para a catuaba (Anemopaegma arvense), classificada como Em Perigo na lista nacional de flora ameaçada. Para a fauna regional, os levantamentos compilaram 363 espécies, entre peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos (29, 31, 20, 234 e 49, respectivamente).

Entre as espécies de maior interesse especial para a conservação estão a anta, o tamanduá-bandeira, a queixada, o tatu-canastra (Priodontes maximus), o macaco-prego, o lobo-guará, o mutum-de-penacho (Crax fasciolata) e o tico-tico-de-máscara-negra. O tatu-canastra e o mutum-de-penacho são também classificados como prioritários pela abordagem RHINO da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). As nascentes mapeadas na reserva reforçam a relevância da área para a manutenção dos recursos hídricos e dos processos ecológicos ligados às veredas e às áreas úmidas do entorno, consolidando o papel da RPPN na manutenção das funções ecológicas da fauna do Cerrado, como abrigo, alimentação, reprodução e deslocamento.

A criação da unidade

A criação da unidade foi formalizada pela Portaria ICMBio nº 4.100, assinada e publicada no final de agosto pelo presidente do órgão, Mauro Oliveira Pires. Os 1.209 hectares reconhecidos como RPPN estão inseridos em uma área maior destinada à conservação pela Suzano, de aproximadamente 3.543,5 hectares, que combina proteção formal, gestão e programas de manejo voltados à vegetação nativa, aos recursos hídricos e à biodiversidade local.

Com a criação da Cerrado Protegido, a Suzano passa a manter nove RPPNs no Brasil, distribuídas em quatro estados e três biomas, somando 12.697 hectares protegidos por meio dessa categoria de unidade de conservação. O conjunto integra o Compromisso Público de Conservação e Restauração da Biodiversidade (CPRV) da empresa, que orienta a proteção, a restauração e o ganho de qualidade de habitats considerando a biodiversidade em escala de paisagem.

Gestão e RPPNs em Mato Grosso do Sul

A gestão da nova unidade é conduzida pelo Instituto Ecofuturo, que vai priorizar a pesquisa científica e o monitoramento da fauna e da flora na reserva. Os levantamentos permitem acompanhar a dinâmica das espécies e subsidiar estratégias de manejo adaptativo baseadas em indicadores ecológicos e resultados de monitoramento. Está prevista também a realização de atividades de educação ambiental voltadas principalmente a jovens, entre elas o projeto Entorno, desenvolvido em parceria com a OBB Brasil.

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