Crise climática: causas, impactos e soluções

Eventos climáticos extremos, como secas e enchentes, são consequências da crise ou emergência climática. Entenda o fenômeno e o que pode ser feito para combatê-lo

Crise climática: causas, impactos e soluções

Eventos climáticos extremos, como secas e enchentes, são consequências da crise ou emergência climática. Entenda o fenômeno e o que pode ser feito para combatê-lo

Publicado por
Equipe Suzano
February 27, 2026
5
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Enchentes, secas, ondas de calor e tempestades têm se tornado cada vez mais frequentes e intensas em todo o planeta. Eventos que antes ocorriam uma vez por século agora se repetem a cada década — ou menos. Por trás dessa transformação está a emergência climática, um desequilíbrio profundo no sistema terrestre causado pela atividade humana. Essa crise afeta a vida de milhões de pessoas, a economia de países inteiros e a estabilidade de ecossistemas fundamentais, exigindo uma resposta imediata antes que os impactos se tornem irreversíveis.

O que é crise climática?

A crise climática é o agravamento da alteração no equilíbrio do sistema climático do planeta causado pelo ser humano, com efeitos cada vez mais intensos e frequentes. A mudança climática se refere ao fenômeno científico do aquecimento global e das alterações nos padrões climáticos, enquanto a crise climática enfatiza a urgência e a gravidade emergencial da situação atual.

Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão da ONU responsável por avaliar a ciência climática, o aquecimento global é inequivocamente causado pelas atividades humanas. Stela Herschman, especialista em Política Climática do Observatório do Clima (OC), explica que a crise do clima se manifesta de diversas formas, como eventos climáticos extremos — a exemplo de secas, inundações, tempestades e ondas de calor — e fenômenos como a elevação do nível do mar, o aquecimento e a acidificação dos oceanos e a perda de biodiversidade.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), 2024 foi o ano mais quente já registrado, com a temperatura global aproximadamente 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. "Em vez de acontecer uma vez a cada 100 anos, uma enchente como a que atingiu o Rio Grande do Sul pode acontecer uma vez a cada dez anos, talvez a cada cinco anos. E elas estão se tornando mais intensas", disse Stela.

Quais são as causas da crise

A principal causa da emergência climática é a queima de combustíveis fósseis — carvão, petróleo e gás natural — que libera gases poluentes na atmosfera e intensifica o efeito estufa natural do planeta. Além disso, o desmatamento, a agropecuária intensiva e processos industriais pouco sustentáveis também contribuem significativamente para o agravamento da crise.

Impactos da crise

As consequências da emergência climática afetam múltiplas dimensões da vida. Segundo o Sexto Relatório do IPCC, bilhões de pessoas sofrem com eventos extremos que causam mortes, destroem a infraestrutura e deslocam populações. "Tivemos as secas na Amazônia por dois anos seguidos. Aquela situação foi inédita. Há impactos em toda uma sociedade que usa o rio para a sobrevivência, para todas as suas necessidades", explica Stela.

No Brasil, onde o setor agropecuário é um dos motores econômicos, a situação é preocupante. "Nossa agricultura não é irrigada e depende muito de um clima estável. Eventos climáticos geram perdas de safra, e isso causa uma crise econômica", alerta Stela.

Há também custos com a reconstrução do que foi destruído — pontes, estradas e redes elétricas, por exemplo. Ciclones tropicais mais intensos pelo aquecimento oceânico, temperaturas recordes que afetam a produtividade e a saúde pública, e a perda de biodiversidade são exemplos de como o problema interfere na realidade econômica e social.

Soluções globais e locais para a crise climática

Enfrentar a emergência climática exige um esforço coletivo coordenado em múltiplas escalas. No âmbito internacional, o Acordo de Paris, adotado em 2015, é um tratado vinculante em que os signatários se comprometem a apresentar Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) para limitar o aquecimento a bem abaixo de 2°C, preferencialmente a 1,5°C. "Precisamos de um empenho contínuo e coletivo, porque ninguém vai resolver a crise climática sozinho e ninguém é imune a ela", destacou Stela.

No setor privado, empresas buscam assumir compromissos ambiciosos relacionados ao clima. A Suzano, por exemplo, multinacional brasileira produtora de celulose e papel, tem metas climáticas aprovadas pela Science Based Targets initiative (SBTi), iniciativa que valida objetivos de redução de emissões baseados em ciência climática. Entre os objetivos da Suzano estão, por exemplo, o compromisso de diminuir em 50,4% as emissões dos escopos 1 (gases do efeito estufa que uma empresa gera como resultado direto de sua operação) e 2 (emissões indiretas provenientes do consumo de energia elétrica ou térmica que não são produzidas pela própria empresa, mas utilizadas por ela.) até 2032. A companhia também se comprometeu a ter 80% de seus fornecedores e clientes com metas baseadas em ciência até 2028, expandindo o impacto positivo para toda a cadeia de valor. Conheça outros compromissos de sustentabilidade da Suzano aqui.

A crise climática no Brasil

O Brasil tem enfrentado uma escalada de eventos climáticos extremos. Em 2024, foram registrados três desastres sem precedentes: as enchentes no Rio Grande do Sul, que causaram mais de 180 mortes e perdas de aproximadamente US$ 7 bilhões; a seca histórica na Amazônia, que afetou 745 mil pessoas e secou rios inteiros, incluindo o recorde de baixa do Rio Negro em Manaus; e ondas de calor extremo na região central, com temperaturas ultrapassando 41°C. Projeções científicas indicam que o Brasil poderá enfrentar até 128 mil desastres climáticos entre 2024 e 2050, o dobro das últimas três décadas.

Para enfrentar esse cenário, o país apresentou em novembro de 2024 sua nova NDC à ONU, estabelecendo a meta de reduzir as emissões de gases de efeito estufa entre 59% e 67% até 2035 em comparação aos níveis de 2005. Ações de comando e controle também foram implementadas: de acordo com dados oficiais, o desmatamento na Amazônia foi reduzido em 30,6% entre agosto de 2023 e julho de 2024, enquanto no Cerrado a redução foi de 25,7%, evitando a emissão de 400,8 milhões de toneladas de CO2. O compromisso brasileiro é sustentado pelo Plano Clima e pelo Pacto pela Transformação Ecológica entre os Três Poderes, assinado em 2024.

Visão da ONU sobre a crise climática

A ONU reconheceu formalmente o problema da crise climática em 1992 com a Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima (UNFCCC), tratado adotado por 198 nações para estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera. Desde sua entrada em vigor, os signatários realizam Conferências das Partes anuais, as COPs, para decidir em consenso como enfrentar o problema.

Os acordos reconhecem responsabilidades comuns, porém diferenciadas — as nações que mais contribuíram historicamente para as emissões devem assumir maior parte dos custos. No entanto, as consequências não seguem essa mesma lógica geográfica: elas estão espalhadas pelo mundo inteiro e afetam desproporcionalmente territórios mais pobres e que têm menos resiliência para lidar com elas.

As COPs evoluíram as metas impostas de cima para baixo, como no caso do Protocolo de Kyoto (1997), para uma abordagem mais inclusiva com o Acordo de Paris, no qual cada nação define sua própria contribuição através das NDCs, o que reflete capacidades e circunstâncias nacionais.

É possível reverter a crise climática?

"Nossa geração não vai viver no clima de antigamente, nós já contratamos essa crise", afirma Stela. Apesar de os impactos fazerem parte da realidade atual, é possível limitar sua gravidade e evitar os piores cenários de aquecimento do planeta.

Cada fração de grau adicional na temperatura terrestre multiplica os riscos de atingir pontos de não retorno — como o colapso da Amazônia ou o derretimento das calotas polares. Por isso, o conceito de "overshoot" (uma ultrapassagem temporária) tornou-se central: refere-se ao período em que a temperatura global ultrapassa o aquecimento de 1,5°C antes de retornar a níveis mais seguros. Para Stela, "se a crise se aprofundar, vamos chegar em um ponto de não retorno. Podemos perder a Amazônia, e áreas inteiras do globo podem se tornar inabitáveis".

A redução de emissões passa pela transição para energias renováveis e pela eletrificação do transporte. Tecnologias de remoção de carbono ganharam espaço: a captura e armazenamento de carbono (CCS) retém CO2 de fontes industriais antes que ele seja liberado na atmosfera, enquanto a captura direta de ar (DAC) funciona como um aspirador que remove o carbono presente no ar. Soluções baseadas na natureza — como reflorestamento, restauração de vegetação nativa e agricultura regenerativa — complementam abordagens fundamentais para garantir o futuro do planeta.

Conclusão

A emergência climática é o maior desafio ambiental, social e econômico desta geração. Causada pela ação humana ao longo de séculos de industrialização baseada em combustíveis fósseis, ela manifesta seus efeitos em eventos climáticos extremos, afetando vidas, economias e ecossistemas em escala global.

Embora não seja possível reverter os danos já causados, ainda há uma janela estreita para limitar os piores cenários futuros. Isso exige ação coordenada em todas as escalas: acordos internacionais ambiciosos, compromissos nacionais alinhados com a ciência, iniciativas empresariais responsáveis baseadas em metas científicas e mudanças coletivas de hábitos. Quanto antes as decisões que promovem a transição energética e a adaptação climática forem adotadas, maior será a capacidade de proteger vidas, preservar ecossistemas e garantir um futuro habitável para as próximas gerações.

ILUSTRAÇÃO:
Ohana Pacheco

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