O que é o Acordo de Paris?

Entenda o que é esse marco global que busca combater os impactos da mudança climática em nosso planeta

O que é o Acordo de Paris?

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Publicado por
Equipe Suzano
June 23, 2026
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As mudanças climáticas já não são mais um risco distante, mas uma realidade que afeta economias, ecossistemas e a vida de milhões de pessoas. No Brasil, por exemplo, mais da metade da população diz estar preocupada com os seus efeitos. E foi para responder a esse desafio global que se criou o Acordo de Paris, um marco histórico da cooperação internacional em prol do clima.

Mais do que um acordo climático global, o compromisso do Acordo de Paris representa um esforço entre países, empresas e sociedade e, com isso, acelerar a transição para um futuro mais sustentável. Saiba o que isso significa na prática.

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O que é o Acordo de Paris?

O Acordo de Paris é um tratado internacional sobre mudanças climáticas aprovado em 2015, durante a 21ª Conferência das Partes (COP 21), em Paris. À ocasião, quase 200 países, incluindo o Brasil, concordaram pela primeira vez em unir esforços para enfrentar o aquecimento global de forma coordenada e ambiciosa.

Para tanto, o acordo precisava ser diferente de iniciativas anteriores, e por isso foi adotado um modelo inclusivo: cada nação apresenta suas próprias metas de redução de emissões, conhecidas como NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas), considerando suas respectivas condições econômicas, sociais e ambientais.

O projeto foi além de um documento diplomático e consolidou-se a ideia de que combater as mudanças climáticas exige cooperação internacional, inovação tecnológica e responsabilidade compartilhada.

Ao mesmo tempo em que impõe desafios, também abre oportunidades para acelerar a economia de baixo carbono, impulsionar energias renováveis e fortalecer a resiliência das comunidades diante dos impactos climáticos.

Quais são os principais objetivos do Acordo de Paris?

O acordo foi construído em torno de três grandes objetivos que se complementam dentro das mudanças climáticas e da cooperação internacional:

- Limitar o aumento da temperatura média global

- Praticar a redução de emissões de carbono por meio da transição energética justa

- Fortalecer a capacidade de adaptação dos países diante das mudanças climáticas

Então, compreender o que é o Acordo de Paris apenas reflete a urgência de conter o aquecimento global. Entenda como isso será realizado.

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Limitar o aquecimento global a 1,5 °C

Os países que assinaram o Acordo de Paris têm como principal objetivo manter o aquecimento global bem abaixo de 2 °C em relação aos níveis pré-industriais, com esforços para limitar o aumento a 1,5 °C.

Esse número representa a diferença entre cenários de impacto controlado ou de consequências graves, como eventos climáticos extremos, elevação do nível do mar e perda irreversível da biodiversidade.

Inclusive, passamos desse limite proposto pela primeira vez no ano de 2024 segundo a World Meteorological Organization. É um momento de seriedade para refletir sobre os esforços e o que deve ser intensificado.

Redução de emissões de carbono e transição energética

Outro eixo central do Acordo é a descarbonização da economia global. Isso significa reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa por meio da substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis, do incentivo à eficiência energética e da adoção de tecnologias limpas em setores como transporte, indústria e agricultura.

Paralelamente, essas medidas representam outras coisas também, como a oportunidade para estimular inovação, gerar empregos verdes e fortalecer uma economia mais competitiva e sustentável.

Fortalecimento da resiliência climática e adaptação dos países

Um dos objetivos do Acordo de Paris é o apoio aos países mais vulneráveis, especialmente, a se adaptarem ao futuro.  

Algumas regiões do mundo são mais afetadas pela elevação do nível do mar, como áreas costeiras do Brasil e países insulares do Pacífico Sul, incluindo Maldivas e Tuvalu, sendo essas ilhas com risco de desaparecimento, de acordo com a WHOI (Woods Hole Oceanographic Institution).

Isso envolve desde investimentos em infraestrutura resiliente, adaptadas para se recuperar rapidamente após eventos climáticos extremos, até políticas para proteger comunidades, ecossistemas e cadeias produtivas dos efeitos de secas, enchentes ou ondas de calor.

Quais compromissos foram assumidos pelos países signatários?

Todos os países signatários, independentemente de sua condição econômica ou nível de desenvolvimento, assumiram compromissos de combate às mudanças climáticas.

Cada nação deve apresentar suas NDCs, que funcionam como planos de ação climática, e incluem metas de redução de emissões, estratégias de adaptação e medidas para apoiar a transição energética.

Quando unimos cada objetivo e somamos às necessidades em comum, vemos que o Acordo de Paris é uma rede de cooperação internacional. Afinal, a lógica é tão simples quanto assustadora: só será possível enfrentar o desafio climático se houver solidariedade global e compromisso coletivo.

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Como funciona o monitoramento e a transparência no Acordo de Paris?

Para garantir que os compromissos não fiquem apenas no papel, existe um mecanismo de monitoramento e transparência: a cada cinco anos, os países devem revisar e atualizar suas NDCs para aumentar, gradativamente, a ambição de suas metas.  

Assim, cria-se um ciclo de melhoria contínua que incentiva o avanço progressivo.

Além disso, existe o Marco de Transparência Aprimorado, que obriga os países a reportarem regularmente suas emissões de gases de efeito estufa, as medidas adotadas e os resultados alcançados. Esses relatórios passam por análises técnicas e comparações internacionais para avaliar o progresso coletivo, além de identificar áreas de melhoria.

Quais são os avanços e desafios do Acordo de Paris desde sua implementação?

Desde que entrou em vigor, em 2016, o Acordo de Paris trouxe avanços importantes. Entre eles, destaca-se a ampliação da consciência global sobre a urgência climática e a mobilização de governos, empresas e sociedade civil em torno de metas de descarbonização.  

Vários países, incluindo Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Canadá e membros da União Europeia, já anunciaram compromissos de neutralidade de carbono até meados do século, e setores estratégicos — como energia, transporte e indústria — têm acelerado a transição para modelos mais sustentáveis.

No entanto, os desafios ainda são significativos. As emissões globais continuam em níveis elevados, e muitos países encontram dificuldades em alinhar crescimento econômico, justiça social e sustentabilidade ambiental. A ciência também reforça que o tempo é curto: cada fração de grau acima da meta de 1,5 °C representa riscos cada vez maiores para ecossistemas, economias e comunidades vulneráveis.

Inclusive, muitos especialistas creem que já não vivemos mais dentro de um conceito de aquecimento global, mas de “emergência climática” ou “ebulição global”. Não se trata de um caminho sem volta, mas de intensificar os nossos esforços — individuais e coletivos. E empresas e pessoas têm um papel decisivo nisso tudo.

Importância do artigo 6.4 do Acordo de Paris

O Artigo 6.4 do Acordo de Paris estabelece o mercado global de carbono, supervisionado pela ONU, para acelerar a luta contra as mudanças climáticas. Esse mecanismo cria um sistema padronizado que permite a países e empresas negociarem créditos gerados por projetos de redução ou remoção de gases de efeito estufa.  

Sua principal importância é oferecer uma ferramenta flexível e economicamente eficiente para as nações cumprirem suas metas climáticas — as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) —, transformando a descarbonização em um ativo negociável em escala mundial e incentivando o investimento em tecnologias limpas.

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Conclusão

O Acordo de Paris é um pacto coletivo em defesa da vida no planeta. Seus objetivos de limitar o aquecimento global, reduzir emissões e fortalecer a resiliência climática dependem da cooperação entre governos, empresas e sociedade civil.

E, apesar dos obstáculos, o acordo continua sendo a base do combate às mudanças climáticas, estabelecendo um horizonte comum de esperança e ação. Cada compromisso assumido, cada inovação tecnológica e cada escolha consciente feita por indivíduos e organizações nos aproximam de um futuro mais justo e sustentável.

O desafio é grande, mas também é a oportunidade de construir um legado positivo para as próximas gerações.

ILUSTRAÇÃO:
Ohana Pacheco

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